terça-feira, 26 de janeiro de 2016

"Gosto de jogar mas a minha família não entende"

Esta é uma frase comum entre amigos no Mundo do Gaming. Muitos jovens sentem incompreensão por parte das suas famílias relativamente à actividade de jogo e neste post irei analisar ambos os lados e dar sugestões de chegada a consenso quanto a esta matéria, em situações de vivência do gaming não problemáticas.

Por parte das famílias de jovens que jogam jogos online as queixas são variadas:
"Ele quando está no computador não me ouve quando eu falo com ele"
"Chamo para jantar e tenho de esperar meia hora porque está a jogar"
"Ele chega a casa e fica ali a noite toda!"

A verdade é que estas queixas são reais e podem ter como base algo problemático ou não.
Numa situação saudável/não necessáriamente problemática, sabemos que o Gaming, nomeadamente o Gaming online é algo recente e pouco compreendido na sociedade em geral, sendo estranho para uma família compreender o porquê de um jovem estar em frente a um computador tantas horas. A verdade é que os jogos online vieram, em parte, substituir o convívio social que por vezes se realizava na rua durante horas (ou outro), no qual muitas das queixas eram semelhantes ("Ele pede sempre para ficar mais tempo na rua", "Não vem logo quando eu o chamo"). Mas porque não era visto como tão negativo? Sendo o gaming online e a industria tecnológica algo relativamente recente, esta não é uma temática que muita gente ainda tenha conhecimento de como funciona, enquanto que o "ir para a rua", por exemplo, era algo considerado normal e habitual antigamente.

De momento o jogo online tornou-se um modo de estar em casa e continuar a estar com os amigos a realizar algo em conjunto que traz satisfação. Para outras pessoas é ainda um meio de atingir objectivos competitivos em equipa ou com o apoio de amigos. Independentemente das razões, se pensarmos naquilo que realizamos em casa nos tempos livres, chegaremos à conclusão que muita gente passa a sua noite no sofá ficando a ver televisão, outras pessoas lêem livros, outros optam por não ficar em casa. A verdade é que estar no jogo online é apenas mais uma actividade, que não tem de necessariamente ser negativa como vimos no post anterior.

No entanto, apesar desta actividade poder ser uma actividade "normal", não justifica que os jovens não comuniquem ou não cumpram os horários da sua casa/família e para isso há algumas estratégias que as famílias podem utilizar para transformar esse comportamento:

- Comuniquem sempre com o vosso jovem o porquê dele demorar a ir ter convosco quando o chamam, por exemplo. Tentem compreender que jogos ele joga, como são, se joga em equipa ou sozinho. Isto fará com que ele sinta que estão a fazer por o compreender e deste modo também compreenderão melhor o porquê de acontecerem as "queixas" referidas anteriormente, tornando-se mais fácil criarem regras em conjunto.
Para as famílias muitas vezes o jogo é "só um jogo", mas para os jovens muitas vezes o jogo pode ser um meio importante e competitivo. Deste modo eles poderão dar importância à sua performance, desempenho e gostarão também de ter o suporte familiar para tal. É importante compreender qual a importância que o jovem dá ao jogo e se participa neste de um modo competitivo. Tal muitas vezes requer que estes jovens tenham horários de treino com as suas equipas, assim como acontece no futebol ou outro desporto, sendo do desconhecimento de muitas famílias que neste momento a industria de videojogos, já tem a área dos Desportos Electrónicos, que tem vindo a ter um grande crescimento Mundial. Porém como em qualquer actividade, todas têm de ser vividas de modo equilibrado sem penalizar a vida pessoal, social, familiar, escolar e profissional.
Caso estas dinâmicas existam de um modo equilibrado para todos os membros do Sistema familiar e social, então esta actividade não será disruptiva, promovendo todos os seus benefícios. Compreendam então qual a importância que o jovem dá ao(s) jogo(s) que joga, no que é que ele anda a investir o seu tempo e porquê, sendo benéfico para a relação entre ambos.

- Criem regras em conjunto com base nas horas prováveis de encontro familiar em que não convém o jovem jogar. Muitas vezes em jogos de
equipa, que demoram um tempo especifico, existe a preocupação dos jovens de não deixar os seus companheiros sem a sua ajuda a meio do jogo (por exemplo) e uma forma de se ultrapassar este problema é o jovem saber em antemão a que horas é que poderá ser mais provável chamarem-no para alguma actividade familiar (jantar, etc.), para que ele não comece nenhum jogo ou se comprometa com outros jogadores durante esse período. Tal comunicação e acordo entre família e jogador irá permitir que a família seja compreensiva quanto à actividade do jovem, mas também que o jovem se adapte às necessidades da vida em família. Esta é, porém, uma regra que ambos devem respeitar e compreender.

- Muitas vezes os jovens criam o hábito de estar inteiramente focados na actividade de jogo, isolando-se de tudo à volta, o que pode criar queixas por parte da família com Acordo e Compreensão mútuos, no qual o jogador poderá aceitar estar a jogar mas manter contacto com a família, não colocando os headphones em ambos os ouvidos por exemplo (um dos ouvidos destapados) ou mesmo tirando os headphones durante um certo período de tempo, estando mais ligado com a família nesse período. Caso ele esteja numa equipa competitiva, haverão provavelmente horas de treino em que ele terá de estar mais concentrado no jogo, porém será pouco provável que esses treinos durem uma noite inteira, por exemplo. Seria benéfico que o jogador falasse com a sua família e explicasse as horas de treino, definindo-as também com a sua equipa em consonância com a sua vida/rotina familiar e social. Esta compreensão, tolerância, cedências mutuas e estabelecimento de horários são fundamentais para uma boa relação familiar.
om relação a esse isolamento, sentido que não podem/não conseguem falar com eles. Uma forma de alterar esta situação será haver um

O problema nestas dinâmicas é muitas vezes não haver compreensão mutua: nem dos jogadores pela sua família; nem da família para com o jogador. Deste modo caso haja comunicação sem expectativas negativas (por exemplo: "A minha mãe nunca irá entender porque eu jogo"), acordos mútuos, estabelecimento de regras, estabelecimento de horários flexíveis e respeito, as dinâmicas relacionais poderão funcionar muito melhor. É sempre importante  ter também em consideração uma vivência equilibrada das várias áreas de vida, não descurando da vida pessoal (necessidades básicas), vida social/familiar, vida académica ou de trabalho, pois quando muitas ou todas estas áreas estão a ser descuradas em função do jogo, poderá realmente existir uma vivência problemática desta actividade (ver post anterior).

Não devemos esquecer que cada família é uma família e que cada jovem é um jovem, sendo que as estratégias que funcionam para alguns podem não funcionar para outros. Deste modo é necessário que haja uma adaptação e comunicação relativamente às estratégias a utilizar para ultrapassar este tipo de problemas entre os familiares e o jovem, tentando sempre que esses limites sejam estabelecidos em conjunto. 

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